Agile is Dead (Again)? A Ascensão dos Product Operating Models
- Matheus Reis
- 13 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 14 de dez. de 2025
Trago aqui o link do nosso post Original: https://www.scrum.org/resources/blog/agile-dead-again-ascensao-dos-product-operating-models Agile is Dead (Again)? A Ascensão dos Product Operating Models
No meu artigo anterior, provoquei com a pergunta: “Agile is Dead?”A resposta não era que a agilidade morreu — mas que a caricatura de agilidade que criamos está esgotada.
Por anos, vimos transformações ágeis centradas em cerimônias, frameworks e rótulos.Pouca atenção foi dada a:
cultura e liderança,
estratégia e portfólio,
estrutura organizacional,
fluxos reais de decisão,
como a empresa de fato cria e captura valor.
O resultado?Agilidade operando no nível do time, enquanto o restante da organização continuava funcionando com a lógica de projetos, silos e comando-controle.
E o paradoxo continua:
71% das organizações declaram utilizar métodos ágeis no desenvolvimento de software (State of Agile 2023),mas poucas percebem impacto real na execução estratégica.
Ou seja:O problema não é o Scrum. Não é o Agile. É a ausência de um modelo operacional.

Quando o framework não é suficiente
O movimento clássico de transformação foi assim:
Times começam a usar ScrumMais foco, ciclos menores, visibilidade melhor.
Escala tenta ser resolvida com frameworks prontosSAFe, LeSS, Nexus — aplicados como “pacotes”.
A organização ignora o que realmente sustenta agilidade
estratégia clara,
liderança coerente,
incentivos alinhados,
fluxo de informação baseado em evidências,
estrutura organizacional compatível.
Por isso, tantas transformações morrem na praia.Frameworks mudam — o modelo operacional continua o mesmo.
E é exatamente nesse vazio que surgem os Product Operating Models (POM).
O nascimento dos Product Operating Models
De forma simples:
POM é o sistema operacional da empresa quando ela decide operar orientada a produtos, não a projetos.
Enquanto o Scrum descreve como um time trabalha,o POM descreve como a organização inteira funciona.
como estratégia vira portfólio,
como times se conectam a resultados,
como cultura e liderança suportam decisões,
como processos, dados e tecnologia fluem,
como produtos são financiados e evoluem.
É também onde cresce uma disciplina que explodiu nos últimos anos: Product Operations (Product Ops).
Mais de 700% de crescimento em profissionais com esse título desde 2019 (LinkedIn).
Funções de Product Ops existem em Uber, Stripe, Shopify, Faire, entre outras.
Seu papel é criar consistência de processos, dados e ferramentas para permitir escala.
Na prática:Product Ops é o motor operacional do POM.

De POM para APOM: a contribuição da Scrum.org
Um Product Operating Model (POM) organiza a empresa para operar por produtos.
O Agile Product Operating Model (APOM) — proposto pela Scrum.org — é uma evolução do POM para ambientes complexos.
Ele preserva tudo que o POM tem,mas adiciona:
empirismo (Scrum),
gestão por evidências (EBM),
discovery contínuo,
estruturas orientadas a valor e outcomes,
adaptação organizacional como princípio.
No APOM:
Times Scrum operam na camada de execução.
Product Ops cria coerência entre múltiplos times.
Estratégia, cultura, estrutura e operação se alinham em um sistema único.
Execução pode ser ágil ou não ágil, dependendo do contexto.
E aqui está um ponto essencial:
O APOM não força Scrum em tudo.Ele habilita que cada parte da organização use o que faz sentido para seu nível de complexidade.
Scrum aparece dentro do APOM como uma forma eficaz de operar em ambientes complexos,não como regra universal.
O APOM permite operação ágil E não ágil.

Ele não impõe Scrum em tudo.Ele permite que cada parte da organização utilize:
Scrum,
Kanban,
fluxos contínuos,
processos regulatórios tradicionais,
ou operações repetitivas não-ágil.
Conforme o contexto.
Scrum aparece dentro do APOM como exemplo de operação para ambientes complexos,não como regra universal.
Scrum continua no coração — agora dentro de um sistema real
Scrum não desaparece.Ele finalmente ganha contexto.
No APOM:
O Scrum Team opera com clareza de propósito.
A organização provê estratégia, dados, estrutura e liderança coerente.
Product Ops garante fluxo, governança, insights e consistência.
O resultado?
Scrum deixa de ser “um time isolado tentando sobreviver”e passa a ser um componente de um modelo operacional coerente, vivo e adaptável.
Então… Agile is Dead?
Apenas a sua versão superficial.
O Agile baseado em cerimônias, cargos e frameworks aplicados como receita realmente não se sustenta.Mas o Agile como capacidade organizacional de aprender, adaptar-se e gerar valor continuamente — esse nunca foi tão necessário.
Os Product Operating Models — e o APOM em particular — oferecem aquilo que sempre faltou nas transformações anteriores:um modelo operacional coerente, capaz de alinhar estratégia, cultura, estrutura, operação e evidências.
O Scrum não desaparece.Ele ganha significado dentro de um sistema que suporta seu uso em ambientes complexos, ao mesmo tempo que permite operações não ágeis quando o contexto exige.


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